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Operação resgata adolescente de exploração sexual e trabalho escravo em Porto Velho; duas mulheres foram presas

Ação integrada entre PF, MTE, MPT e DPU desmantelou esquema de servidão por dívida que funcionava nos fundos de um bar no distrito de Vista Alegre do Abunã.

Cidade: Porto VelhoRedação
Foto: Reprodução

Uma grande operação conjunta realizada neste sábado resultou na prisão em flagrante de duas mulheres no Distrito de Vista Alegre do Abunã, em Porto Velho (RO). A ação, que uniu a Polícia Federal, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) — por meio do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) —, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU), flagrou um esquema de exploração sexual de vulneráveis e submissão de pessoas a condições análogas às de escravo.


A fiscalização ocorreu em um estabelecimento comercial que, aos olhos do público, funcionava apenas como um bar local. No entanto, nos fundos do imóvel, a força-tarefa descobriu quartos destinados à exploração sexual das mulheres que residiam e trabalhavam no local.


Ao todo, quatro mulheres em situação de extrema vulnerabilidade foram encontradas, incluindo uma adolescente de apenas 17 anos. Durante as buscas, a Polícia Federal apreendeu cadernos de anotações com registros detalhados dos programas sexuais, controle financeiro e o histórico de dívidas impostas às vítimas.


O mecanismo da servidão: “Endividamento progressivo”


De acordo com as investigações, o estabelecimento operava por meio de um sistema de endividamento progressivo, uma tática clássica do trabalho análogo à escravidão. As trabalhadoras eram responsabilizadas pelos custos de deslocamento, alojamento, alimentação e até pelas bebidas consumidas. O saldo devedor aumentava constantemente, prendendo as mulheres ao local e anulando o direito de ir e vir.


No caso da adolescente de 17 anos, o cenário era ainda mais grave: ela foi aliciada em outro estado e trazida para Rondônia, tendo o valor da passagem aérea ou terrestre imediatamente lançado como uma dívida em seu nome. O confinamento era garantido por multas severas por descumprimento de regras internas, jornadas diárias de trabalho exaustivas, sem direito a folgas, e proibição estrita de sair do local sem o acompanhamento das gerentes.


Papéis definidos na estrutura criminosa e liberdade provisória


As duas mulheres presas tinham funções bem delineadas na estrutura criminosa. Uma delas atuava como a dona do bar, comandando o recrutamento e a contabilidade do esquema. A segunda exercia o papel de gerente, sendo a responsável direta por fiscalizar a rotina, controlar o caixa e aplicar os castigos e multas.


Ambas foram detidas e encaminhadas ao Centro de Ressocialização Sueli Maria Mendonça, na capital rondoniense. Em audiência de custódia realizada ainda no sábado, a Justiça Federal homologou o flagrante, mas concedeu liberdade provisória às investigadas, mediante o cumprimento de medidas cautelares.


As autuadas respondem, em tese, pelos crimes de redução a condição análoga à de escravo (artigo 149 do Código Penal), tráfico interno de pessoas para fins de exploração sexual (artigo 149-A, inciso V) e favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável (artigo 218-B). Se somadas, as penas em abstrato para os delitos podem ultrapassar os 20 anos de reclusão. As investigações continuam para identificar se há outras ramificações da rede de tráfico de pessoas na região.

Fonte: Rolnews

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